domingo, 28 de junho de 2009

Se a esperança morreu e eu ainda aqui estou então é porque o ultimo a morrer afinal sou eu!

Não sei se és perfeita.
Acredito que só os meus olhos te vejam assim.
Te vejam não, te tenham visto...em tempos...
A verdade é que depois de me teres trazido de volta,depois de me teres feito acreditar, destruiste calada os castelos que ergui na areia da tua imagem.
Perfeita?
Não....
Serás tudo que não isso...
Mas, ainda assim, é tal como és que gosto de ti...
Embora não tenha sido tal como és que te conheci.
Contigo a esperança nasceu e e morreu fria, mortal..
Não podemos mudar o começo......
Porém...
Parece não ser tarde demais
Para mudar o final!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Obrigado,a ti!

Obrigado por me teres cegado...assim não vejo o farrapo em que me tornaste...

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Mundo absolutamente relativo




Com dificuldade sentou-se ao meu lado. Desviei brevemente os olhos da janela por onde acompanhava o frenético  ritmo da baixa da cidade em mais um dia enovoado, que ameça chover enquanto promete um raio de sol a cada instante, e sorri-lhe.Devolveu-me o sorriso e voltei a olhar a janela fechado no meu mundo que me parecia tão grande e preocupante naquele momento.Passou algum tempo e vi refletido no vidro da janela a forma como me olhava vidrado,olhei-o de novo, sorriu-me envergonado e rapidamente desviou o olhar em frente.Sorri de volta e voltei ao meu mundo."Sabe?Nesta vida já fui rei" disse-me de voz grave e áspera.Num instante saí daquele universozinho e fitei-o surpreendido.Continuou.- Jovem, cheio de sonhos e esperanças.Forte, firme.Acreditava que podia mudar o mundo.Acreditava que a minha mão iria agarrar o ar e maneja-lo até calejar.Julgava-me eterno. 
 Olha-me esperando uma reacção, estou atónito.A sua trémula mão direita mergulha no bolso das calças remendadas de onde tira um trapo com que limpa a boca seca cansada do esforço de intercalar a respiração com a fala.Ainda tremendo passa o trapo pelos olhos e com dificuldade volta a guarda-lo.
 -Via-me rico, muito rico, vivendo numa luxuosa vivenda em frente ao mar com todos os bens que um homem possa imaginar.Ia estudar, ser doutor,a minha mãe sempre me quisera doutor.Ai!Como me olhava a minha mãe de olhos cintilante quando dizia "tu tens queixo de doutor!".Nunca percebi como podia um queixo ser de doutor e, em boa verdade,o meu não o era.
 Fez uma pausa....
"Deus a tenha", suspirou..."Acredita em Deus?",perguntou-me...e continuou antes que pudesse responder -Eu acreditava.A minha mãe habituou-me a acreditar.Rezava todos os dias, ia à missa ao domingo, partilhava o que tinha com quem precisava, beijava até a mão ao senhor padre.Podia ter sido um grande devoto, a verdade é que não tive muito tempo para o ser.Aos 10 anos vi a minha mãe ser vítima de uma qualquer doença que desconheço e fiquei só.O meu pai já havia falecido, disse-mo a minha mãe,nunca o conheci.
 Voltava a procurar o trapo para se limpar, dei-lhe um lenço que tinha e sorriu-me reconhecido. 
-Assim perdi a fé junto com a vida...Fui criado por um tio até aos 18 anos.Quando os completei deu-me 5 escudos, mandou-me para a cidade e disse-me "Quando fizeres desses 5 escudos 500 volta para mos devolveres,até lá não precisas de voltar",nunca voltei.O meu tio não acreditava na educação nem no estudo, talvez porque mesmo ele nunca os tenha recebido. Ensinou-me a carrega-lo embriegado e a levar pancada sem gritar,era tudo o que sabia fazer quando aqui cheguei.Rapidamente esqueci os sonhos que trazia nas mãos vazias e me vi forçado a sobreviver.Aprendi a não morrer embora a vontade de viver fosse nenhuma.As pessoas, demasiado ocupadas para me notar, atiravam-me contra as paredes frias da cidade.As mães atravessavam a rua com os filhos para que me não vissem.Os seus filhos que aos seus olhos, como eu, têm queixo de doutores.
  Lançou um suspiro e tossiu.Eu olhava-o ainda incrédulo sem reacção.É curioso como nos habituamos a não saber lidar com a tristeza dos outros.Exige de nós um esforço muito maior do que celebrar as alegrias, deve ser por isso que o evitamos.
 -Sabe jovem?Esta vida é muito curta e efémera.Nunca sabemos o dia de amanhã.Habituamo-nos a mecanizar de tal forma a existência que hoje as pessoas quase que se envergonham dos sentimentos que sentem.Nunca se envergonhe de sentir.Seja o que for que sinta.Sinta-o.Sinta-o e mostre-o.Não guarde para amanhã a felicidade de hoje nem adie para depois a desilusão de agora.Parece estranho. Mas a verdade é que os sentimentos mais ricos, aqueles com que aprendemos mais, são aqueles que nos magoam mais.
 Voltou a sorrir envergonhado.Cambaleando levantou-se e saiu do autocarro.Dirigiu-se ao jardim a que se habituou a chamar casa e deitou-se no banco de madeira que sente confortável como uma cama.Fê-lo sem olhar para trás.Fê-lo sem procurar ler nos meus olhos o impacto que teve o que me disse.Fê-lo sem querer saber, fê-lo como o sentiu.
 


 Fê-lo sem saber que o que me disse me fez dizer-te a ti hoje o quanto te quero bem.