domingo, 7 de fevereiro de 2010

Estrada (Eras tu , quando eu era mais eu)


Sozinho, percorro a estrada que era minha e que te dei
Um dia, por medo, fui andando a pouco e pouco e me afastei
Do porto de abrigo do abraço que me davas e o calor
um abraço, sentido, que parava o mundo e me sarava a dor
Da vida
e de tudo
mas agora vou tombando para o fundo
do poço, vazio, da ausencia desse abraço que era o teu
e triste, caminho
tambem meu sorriso sem o teu morreu
e no escuro eu me afundo
ecoando num gemido profundo
já que a acorda, a que sempre
me agarrei para vencer a corrente
da tristeza, da loucura
que me habita e só contigo está segura
já não pende, não há nada
levaste-a contigo junto com a estrada
estou sem rumo,cansado
eu vivo no presente do passado
equilibras,
o meu eu
que criaste e que sem ti morreu

Esconde-te em mim

Quando chegares à noite e não conseguires dormir
Quando acordares de manhã e te faltarem as forças para aguentar mais um dia
Quando chegares a meio do dia já sem fôlego para mais metade
Quando nada parecer fazer sentido para ti
Quando te sentires desamparada e só
Quando achares, por algum motivo, que lutar mais não vale a pena
Quando estiveres a um passo de te entregar á negridão dos "monstros" no teu armário
Quando as lágrimas te escorrerem do rosto, ainda que contra a tua vontade
Quando toda a tua casca de de segurança e confiança começar a estalar
Quando perante uma encruzilhada te faltar a coragem de escolher esquerda ou direita e te deitares no meio
Quando precisares de uma mão que te impeça de chegar ao fundo do poço
Quando as unicas certezas que tiveres forem as dúvidas cujas respostas desconheces
Quando a luz ao fundo do túnel te parecer longe demais

Faz de mim porto de abrigo, constrói aí o teu ninho e deixa-te estar a repousar