domingo, 20 de dezembro de 2009
Mais fácilmente agarro o ar
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
domingo, 27 de setembro de 2009
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Transparência
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Capuccino

quinta-feira, 3 de setembro de 2009
sábado, 15 de agosto de 2009
Waltz
domingo, 2 de agosto de 2009
Grito
Eu:
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Libertação de José Régio
Libertação
Menino doido, olhei em roda, e vi-me
Fechado e só na grande sala escura.
(Abrir a porta, além de ser um crime,
Era impossível para a minha altura...)
Como passar o tempo?...E diverti-me
Desta maneira trágica e segura:
Pegando em mim, rasguei-me, abri, parti-me,
Desfiz trapos, arames, serradura...
Ah, meu menino histérico e precoce!
Tu, sim! Que tens mãos trágicas de posse,
E tens a inquietação da Descoberta!
O menino, por fim, tombou cansado;
O seu boneco aí jaz esfarelado...
E eu acho, nem sei como, a porta aberta!
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Quero-te em mim
Se....(não era diferente)
domingo, 28 de junho de 2009
Se a esperança morreu e eu ainda aqui estou então é porque o ultimo a morrer afinal sou eu!
Acredito que só os meus olhos te vejam assim.
Te vejam não, te tenham visto...em tempos...
A verdade é que depois de me teres trazido de volta,depois de me teres feito acreditar, destruiste calada os castelos que ergui na areia da tua imagem.
Perfeita?
Não....
Serás tudo que não isso...
Mas, ainda assim, é tal como és que gosto de ti...
Embora não tenha sido tal como és que te conheci.
Contigo a esperança nasceu e e morreu fria, mortal..
Não podemos mudar o começo......
Porém...
Parece não ser tarde demais
Para mudar o final!
sexta-feira, 26 de junho de 2009
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Mundo absolutamente relativo

domingo, 24 de maio de 2009
Tu num momento
terça-feira, 19 de maio de 2009
sexta-feira, 15 de maio de 2009
O Encontro..!
La Reproduction Interdit, René MagritteAo andar inocentemente pelas ruas da cidade em mais um dia com tudo para não ser nada que não isso mesmo, mais um dia, cruzo-me com ele.Olha-me...e como me olha....olhos negros penetrantes que me deixam paralisado.Em segundos tento perceber se gosto,não,definitivamente não gosto, odeio,sinto-me nu...Aqueles olhos estranhos que me vêm como se fosse transparente agridem-me e sinto-me exposto.Tento olha-lo também.Talvez o conheça,mas não creio...Tem um ar cansado..carvões no lugar dos olhos negros como o cabelo,semblante carregado de homem vencido por lutas inglórias, corpo esguio e curvado agastado pelo peso da derrota e da tristeza.Sorriso inexistente,lábios serrados,secos, com uma frincha que deixa apenas passar o ar cada vez mais raro vencido pela vontade de asfixiar.Miserável homem este, que parado diante de mim, me olha mudo parecendo procurar em mim respostas para uma qualquer pergunta que desconhece e desconheço.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
O som no silêncio de um olhar por ti lançado seguido do silêncio do grito que entoei ao sucumbir

sábado, 18 de abril de 2009
O Anti-Silogismo:Quando tudo é nada e tu,não sendo nada, és tudo...
Num universo tão grande em que nascem e explodem estrelas e vidas a uma velocidade impossivel de medir por segundo nada parece ter dimensão suficiente para ser relevante...nada parece ser nada quando comparado a uma imensidão tal que por isso se reduz a um todo que é nada em si mesmo.
Vidas vao e vêm, eventos dão-se e terminam, o importante perde toda a importancia e o inexistente torna-se uma necessidade so por passar a existir ainda que não o fosse antes do seu surgimento.Pessoas fazem coisas que pensam estar certas e de que se arrependem no segundo seguinte tendo-se esse segundo tornado tarde de mais para voltar atrás.
A vida é programada ao segundo fazendo as marionetas com animus correr em busca de cumprir objectivos traçados.No fim do dia o que sobra é tempo para descansar para o novo dia de espetáculo no circo de marionetas em que a existência foi transformada.Acontece porém que de um momento para o outro, e quando nada o faria prever(nem mesmo todos os planos traçados sob a obrigatoriedade de serem cumpridos com o minimo de tolerancia possivel) algo acontece e os fios da marioneta sao cortados por algum motivo perfeitamente desconhecido...aqui no fim do dia o que resta é nada mesmo...No fundo não deixa de ser mais uma vida que se vai, sem especial relevancia em todo um universo considerado...contudo, no pequeno universo próximo de quem inexplicavel e imprevisivelmente termina o seu espetáculo mais cedo essa vida faz toda a diferença e a sua ausencia representa uma dor que, embora superavel, deixa as suas maselas.
Em tal universo há alguns elementos que, embora pareçam de uma enorme relevancia á primeira vista, a perdem de imediato quando colocadas na devida proporção.
O tempo...é algo que nos habituamos a valorizar e a rentabilizar, daquela que consideramos ser a melhor forma.Mas o que é um segundo quando comparado a uma hora e esta quando comprada a um dia e este quando comparado a um ano e este quando comparado á eternidade(se é que tal figura existe efectivamente)?parece nem mais nem menos do que o que é, nada...é de resto ao que tudo se reduz fatalmente mais cedo ou mais tarde!
Também a distancia parece algo de esmagador e limitador porém irá redundar na mesma questão do tempo...há sempre uma maior distancia a percorrer do que aquela ja percorrida ainda que esta tenha parecido imensa!Assim, umas centenas de quilometros são nada quando colocados perante milhares deles e estes nada quando comparados com milhoes...é tudo uma questao de proporção!
Há ainda a perda e a presunção de que algo ou alguém é insubstituivel.Quando deparado com a morte de alguém a hoje marioneta humana tende a considerar tudo perdido, o mundo uma injustiça, tende a refugiar-se na ideia de um divino capaz de ser responsabilizado e ao mesmo tempo amenizador de tal perda e tende ainda a visitar o ultimo local de repouso do remanescente do perdido, não entendendo que o que resta de alguem após a partida é o que vive dentro de cada um que fica nas lembranças que guardam do que parte, e não propriamente no local onde este se decompõe perdendo totalmente a sua identidade. A marioneta humana esquece-se que o que provoca a dor da perda de alguem é a perda do seu animus e não da manifestação fisica de que este se serve para existir.
Neste universo há ainda espaço para mais um factor..este tambem inprevisivel e com muito de inexplicavel....coincidencias!Quando tudo parece seguro coincidencias acontecem e mudam todo o guião da história...A minha foste tu.
Se um segundo no universo significa nada dois segundos na coincidencia que es tu fizeram toda a diferença, alguns quilometros uma diferença ainda maior e a ausencia de alguém( ainda que não pela sua perda em absoluto) uma dor corrosiva.
Seria tão mais facil se o meu universo fosse o mesmo que o teu.....embora isso claro tornasse tudo muito mais facil e ate vazio de sabor de conquista...um sabor que preenche os sentidos daqueles que o conseguem atingir, nós mercemo-lo e havemos de nos deleitar com ele, um dia, mais cedo ou mais tarde!!
quinta-feira, 5 de março de 2009
Hoje foi diferente
Derreteu, derreti, derreteste-me.
Até aqui fui não mais do que um sucessivo desenrolar de actos que se iniciavam com o nascer e terminavam com o esvair da luz no pôr do sol numa monotonía aflitiva que me roubava a vida a cada novo dia que passava.Sentimentos nasciam e explodiam como estrelas no micro universo em que me movo, eventualmente em torno desse sol, que gosto de pensar só meu, que és tu.Serás tu essa caprichosa estrela capaz de gerar vida em mim só ao ofuscar-me num encandescente raio que me cega enquanto parece encher-me de vida?Capaz também de me secar dolorosamente numa falta de ar angustiante no escuro da falta dessa luz?Diria que sim...pelo menos terá sido esse o efeito que teve esse sorriso que inocentemente( terá sido realmente inocente?gosto de pensar que sim...) me lançaste quase como que para me manteres vivo só por mais um pouco quando me sentiste partir.Podia ter morrido ali, acabava ali a agonía, o sofrimento, mas não...Caprichosa...Matasses-me de uma vez e não me manteria aqui a roubar o ar a quem realmente tenha vontade de viver.Mas não...Não tu que te mantens inerte nessa nuvem de onde me vez actuar, na corda bamba sem rede, distante o suficiente para que te veja mas para que saiba que não te posso alcançar, suficientemente perto para estares longe de mais.E caminho assim, com a motivação de te alcançar por te ver tão perto e a descrença em te tocar por te saber tão longe.Morra eu de uma vez e talvez possa, enfim, nascer.
Também ontém o sol nasceu e se pôs junto comigo, mas hoje foi diferente...
domingo, 18 de janeiro de 2009
História da música: O piano; A sinfonia que compus para te ouvir a ecoar dentro de mim, uma ultima vez!
posso tentar iludir-me com uma mascara que uso que so me engana a mim...ou pelo menos a ti nao te engana...nao a ti que sempre olhaste para dentro de mim como se nao houvesse nada entre mim e ti que me escondesse...para ti era transparente e tu vias-me....percebo quando me olhas com esse olhar que me diz tanto...que ainda o sou...transparente... ainda consegues ver-me de dentro para fora sentir me de dentro para fora...consegues abraçar-me antes que começe a chorar... consegues calar-me antes que começe a dizer o que nao quero dizer...consegues sorrir-me antes de falar, ves se estou feliz, consegues perguntar-me o que se passa tambem antes de falar, sabes se estou triste...sabes me como ninguem...conheces me como ninguem...conheces me como qualquer pessoa teria medo de conhecer alguem...conheces me como eu... conheces me melhor.... o piano ja nao toca.... mas tu permaneces... amanha uma nova melodia vai nascer mas tu seras sempre a sua partitura...sempre ate eu acabar de exprimir todas as sensaçoes que suscitas em mim...nunca irei conseguir...vais ser sempre o meu piano... quanto mais toco mais conheço o que es para mim...nao quero parar de tocar...quero saber tudo ate concluir que ha em cada pedaçinho de mim um pouquinho de ti...compoes-me...compoes o meu melhor eu...o eu que foi criado por ti o eu que nao existe sem ti...o eu que compões....como quem compõe uma melodia harmoniosa,pacifica,tranquila....compõe-me e faz me ecoar nas paredes de uma qualquer sala de madeiras refletidas e cobertas pela luz dourada de um por do sol....Hoje a melodia e serena...hoje eu sou sereno...hoje deste-me a mao e o mundo parou...
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
História da arte: a pintura; A monalisa que pintei para te ver sorrir para mim, uma última vez...
A primeira vez que te vi, vi-te, cada traço preciso e exacto, anatómicamente perfeito que formava a figura graciosa e detalhada que eras tu.Cada sombra que parecia esconder alguma mínima imperfeição ao mesmo tempo que deixava no ar a possibilidade de ocultar mais um reboscado e precioso pormenor que te compõe nessa angustiante representação de perfeição humana renascentista em que te vi. Vi-te assim, numa harmonia realista científica em que cada gesto, cada expressão, cada luz, cada brilho, cada sombra, cada cor, me transmitia uma emoção nova e te punha mais perto do Olimpo e mais longe de mim. Eras assim, uma imagem perfeitamente desenhada e clara. Pelo detalhe com que te pintaste pareceu-me ver-te como na realidade és, sem artifícios para te esconder, mas com tal detalhe que me deixou sedento de explorar cada traço em que te formas para conhecer mais até à exaustão.Quis conhecer cada luz que me ofuscava e te enchia de destaque numa tela repleta de um jogo de vida e morte, claridade e obscurantismo, euforia e angústia que me despertava os sentidos enquanto me afogava na sensação de completude e sacieade. Cada olhar que parecia ter sempre mais a dizer e me fazia deambular num misto de ternura e sofrimento doentio que me impedia de desviar o olhar desse teu enigma permanente com que vias o mundo e me cegavas aos poucos sem saber.
Cego pela grandiosidade em que te via fui apreciando um gradual deformar da imagem inicial que construi apercebendo-me da nítida ilusão que todo esse jogo de luz produziu nos meus ingénuos olhos que já te viam, então, sob a forma impressionista de uma luminosa aparência de felicidade constituida por pinceladas soltas, ao contário dos firmes e perfeitos traços com que nasceste tal qual Vénus. Toda aquela ciência e harmonia realista pareciam-me agora não mais do que uma ilusão provocada por um exuberante cenário de luz e cor forte sem o qual não serias nada mais do que um conjunto de pinceladas imprecisas. Contudo, consegui ainda assim, reconhecer certa beleza, por muito que os teus contornos tivessem perdido precisão, á forma que descrevias, mais vaga mas com detalhe suficiente para te manteres encantadora e fascinante para mim, talvez por guardar ainda lembrança do tempo em que te julgava ver em todo o teu detalhe e explendor.
Porém, quando tentava reconstruir e precisar a incerteza das pinceladas em que te tornaras, notei que da minha reconstrução nasceu uma imagem ainda mais desconstruida e afastada daquela em que outrora me perdi em prazeres e euforia. A tua forma havia-se perdido e eras não mais do que uma colorida dança de expressões da qual resultava uma angustiante e destrutiva sensação de desprazer patente no teu semblante que se alastrava a mim e me consumia num ácido que sentia queimar-me do mais intímo interior de mim até à superficie com que tocava visualmente na corrosiva imagem em que morta dançavas com um olhar que implorava sair da tela ao mesmo tempo que se deleitava com toda a negridão sua envolvente e com o meu olhar perdido de panico e desilusão perante tão macabra demonstração de ti.
Abstração...foi tudo o que restou depois da perturbação causada pelo teu verdadeiro ser...incapaz de perceber como uma imagem renascentista tão harmoniosa pode perder gradualmente todo esse encanto transformando-se numa abominável manifestação de amargura dor e sofrimento absolutamente destrutiva para mim deixei de reconhecer em ti qualquer forma vendo apenas uma abstração, um conjunto de elementos a compor uma tela incompreensível, sem emoção, sentimento ou forma.
Hoje vejo-te talvez como uma demonstração surrealista...reconheço-te uma forma descabida, incompreensível mas que não me fere ou satisfaz....uma obra sem emoção, pelo menos para mim.
Assim assisti à perfeita deformação da perfeição da tua forma, e da minha, pelo menos como a conhecia quando percorria sofregamente a perfeição que se revelou falsa e destrutiva da grande obra que pintei e que vi deteriorar arrastada pela podridão da modelo que escolhi,infelizmente...
domingo, 11 de janeiro de 2009
só mais um conto contado pela personagem que não morreu no fim por não chegar até lá!
Como te cheguei a dizer a minha vida é uma tragi-comédia em que me equilibro risonho na corda bamba sem rede perante uma assustada plateia confiante na minha falsa aparencia de controlo.Foi também assim que caí da corda julgando ingénuamente ter-te como rede quando eras apenas mais uma espectadora passiva(e não das assustadas) que me via arriscar balançando, entediada pela falta de emoção no facto de não cair. Pois é...desequilibraste-me e por ti cai mesmo...
Hoje sinto saudades de uma pessoa cuja existencia inexplicavel e inprevisivelmente cessou.A pessoa que eu julgava que eras, iludido pela mascara que usavas.
Eras tu quando eu era mais eu, embora não saiba ao certo quem es na realidade...
