domingo, 20 de dezembro de 2009

Mais fácilmente agarro o ar

E pensar que quando me olhaste sorrindo e disseste que te tinha derretido não imaginei que isso significaria acabar por te sentir escorrer-me entre os dedos, quando pensei que te tinha segura nas mãos, que fechadas te aqueciam, querendo proteger-te e não perder-te num suspiro.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Evitar-te

Só queria agarrar-te um sorriso por cada vez que fingi não te ver numa noite.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Inspiras-me

A falta de inspiração inspira-me a procurar-te

domingo, 27 de setembro de 2009

Insuficiencia

Porque de mais era insuficiente....
E satisfazer-te uma ambição...

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Transparência

Cinco segundos de silêncio depois numa troca de olhar e sabia já o que nunca ousarias revelar-me...

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Capuccino






Sentado na esquina da sala faço uma moeda embater ritmadamente na superficie encerada da mesa de madeira escura.Do lado oposto da sala vejo-a. Olha para mim de relance e vê o sinal.Vira-se para mim e inicia uma marcha confiante na minha direcção.Os cabelos balançam da esquerda para a direita loiros realçados pela exposição ao sol de verão.Os olhos, azuis, reflectem o cenário num tom que o torna especialmente encantador. As Paredes bordeaux harmoniosamente adornadas de obras de pintura com molduras barrocas de um tom dourado envelhecido, as cortinas verde garrafa do lado de dentro de janelas de madeira com grandes portadas, o piano de cauda preto brilhante entoando escalas de Jazz ao vivo, as escadas, também de madeira, que conduzem a um andar de cima misterioso, os candeeiros de tecto antigos com abat-jours discretamente florados, a porta ligada a um pequeno sino que se agita com a entrada de alguém.
A sua pele, normalmente clara, apresenta um tom dourado. Veste uma blusa branca, que usa com as mangas simétricamente arregaçadas até ao antebraço, com folhos no subtil decote.Uma saia preta até ao meio das pernas elegantes e firmes, um cinto largo na cintura delgada.Sapatos pretos com um pouco de tacão que parece acompanhar no ritmo o piano quando embate no soalho de madeira ao andar.Desfila assim na minha direcção e à medida que se aproxima sinto o seu odor a perfume fresco e floral.Chega por fim junto a mim, olha-me sorrindo. Sorrio-lhe também.

-Um Capuccino, por favor.


Acena positivamente e regressa!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Um, Dois, Fim!

Uma praia

Um mar

Um céu

Um sol....



e Uma toalha para Dois!

sábado, 15 de agosto de 2009

Precipitação

Hoje quero voltar à rotina
do teu olhar de menina!

Waltz

Hoje quero cantar num outro tom
entoar um outro som
Quero sarar uma outra dor
chorar um outro amor
Quero imergir num outro mar
respirar um outro ar
Quero sentir um outro medo
gritar alto outro segredo
Quero sentir um outro odor
embriagar de outro licor
Quero enfrentar outro receio
iniciar a história a meio
Quero escrever um outro texto
ansiar o seu desfecho
Quero perder-me em outra vida
mais um olhar de despedida
Quero imaginar outro sabor
e tragá-lo com ardor
Quero dormir outro luar
e valsar com outro par
...só pra variar....

domingo, 2 de agosto de 2009

Grito

AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH







Desculpa,acho que estou a exagerar!

Eu:

Cansei-me.
Cansei-me de escrever sobre "Ti".Hoje,ao reler o meu blog depois de uma longa ausência (penso talvez procurar justifica-la mais tarde), apercebi-me do papel central que tem a entidade "Ti" em todos os textos publicados.Pois cansei-me de escrever sobre hipoteticos "Tis" que crio só para justificar ou mascarar a negridão que de longe a longe assola o "Eu".Hoje escrevo sobre "mim"(finalmente).
Confesso que é muito dificil fazê-lo.É bem mais facil falar sobre "Ti", especialmente porque se sou eu quem "te" cria então descrevo-"te" como entender.Mas bem...
Eu:


Cansei-me...
Acho melhor ir descansar.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Libertação de José Régio

Libertação
Menino doido, olhei em roda, e vi-me
Fechado e só na grande sala escura.
(Abrir a porta, além de ser um crime,
Era impossível para a minha altura...)

Como passar o tempo?...E diverti-me
Desta maneira trágica e segura:
Pegando em mim, rasguei-me, abri, parti-me,
Desfiz trapos, arames, serradura...

Ah, meu menino histérico e precoce!
Tu, sim! Que tens mãos trágicas de posse,
E tens a inquietação da Descoberta!

O menino, por fim, tombou cansado;
O seu boneco aí jaz esfarelado...
E eu acho, nem sei como, a porta aberta!



Eu sempre prometi a mim mesmo não colocar no meu blog textos que não de minha autoria,contudo, este poema, que é o meu favorito, fiz questão de colocar.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Quero-te em mim

Sabes o que eu acho?
Acho que enquanto me detiver a achar
Não te acho onde te quero encontrar

Se....(não era diferente)

Se fosse morrer hoje dirigia-me a ti, agarrava-te junto a mim e mostrava-te o que é estar vivo....


Maldita saúde de ferro!!!!!

domingo, 28 de junho de 2009

Se a esperança morreu e eu ainda aqui estou então é porque o ultimo a morrer afinal sou eu!

Não sei se és perfeita.
Acredito que só os meus olhos te vejam assim.
Te vejam não, te tenham visto...em tempos...
A verdade é que depois de me teres trazido de volta,depois de me teres feito acreditar, destruiste calada os castelos que ergui na areia da tua imagem.
Perfeita?
Não....
Serás tudo que não isso...
Mas, ainda assim, é tal como és que gosto de ti...
Embora não tenha sido tal como és que te conheci.
Contigo a esperança nasceu e e morreu fria, mortal..
Não podemos mudar o começo......
Porém...
Parece não ser tarde demais
Para mudar o final!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Obrigado,a ti!

Obrigado por me teres cegado...assim não vejo o farrapo em que me tornaste...

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Mundo absolutamente relativo




Com dificuldade sentou-se ao meu lado. Desviei brevemente os olhos da janela por onde acompanhava o frenético  ritmo da baixa da cidade em mais um dia enovoado, que ameça chover enquanto promete um raio de sol a cada instante, e sorri-lhe.Devolveu-me o sorriso e voltei a olhar a janela fechado no meu mundo que me parecia tão grande e preocupante naquele momento.Passou algum tempo e vi refletido no vidro da janela a forma como me olhava vidrado,olhei-o de novo, sorriu-me envergonado e rapidamente desviou o olhar em frente.Sorri de volta e voltei ao meu mundo."Sabe?Nesta vida já fui rei" disse-me de voz grave e áspera.Num instante saí daquele universozinho e fitei-o surpreendido.Continuou.- Jovem, cheio de sonhos e esperanças.Forte, firme.Acreditava que podia mudar o mundo.Acreditava que a minha mão iria agarrar o ar e maneja-lo até calejar.Julgava-me eterno. 
 Olha-me esperando uma reacção, estou atónito.A sua trémula mão direita mergulha no bolso das calças remendadas de onde tira um trapo com que limpa a boca seca cansada do esforço de intercalar a respiração com a fala.Ainda tremendo passa o trapo pelos olhos e com dificuldade volta a guarda-lo.
 -Via-me rico, muito rico, vivendo numa luxuosa vivenda em frente ao mar com todos os bens que um homem possa imaginar.Ia estudar, ser doutor,a minha mãe sempre me quisera doutor.Ai!Como me olhava a minha mãe de olhos cintilante quando dizia "tu tens queixo de doutor!".Nunca percebi como podia um queixo ser de doutor e, em boa verdade,o meu não o era.
 Fez uma pausa....
"Deus a tenha", suspirou..."Acredita em Deus?",perguntou-me...e continuou antes que pudesse responder -Eu acreditava.A minha mãe habituou-me a acreditar.Rezava todos os dias, ia à missa ao domingo, partilhava o que tinha com quem precisava, beijava até a mão ao senhor padre.Podia ter sido um grande devoto, a verdade é que não tive muito tempo para o ser.Aos 10 anos vi a minha mãe ser vítima de uma qualquer doença que desconheço e fiquei só.O meu pai já havia falecido, disse-mo a minha mãe,nunca o conheci.
 Voltava a procurar o trapo para se limpar, dei-lhe um lenço que tinha e sorriu-me reconhecido. 
-Assim perdi a fé junto com a vida...Fui criado por um tio até aos 18 anos.Quando os completei deu-me 5 escudos, mandou-me para a cidade e disse-me "Quando fizeres desses 5 escudos 500 volta para mos devolveres,até lá não precisas de voltar",nunca voltei.O meu tio não acreditava na educação nem no estudo, talvez porque mesmo ele nunca os tenha recebido. Ensinou-me a carrega-lo embriegado e a levar pancada sem gritar,era tudo o que sabia fazer quando aqui cheguei.Rapidamente esqueci os sonhos que trazia nas mãos vazias e me vi forçado a sobreviver.Aprendi a não morrer embora a vontade de viver fosse nenhuma.As pessoas, demasiado ocupadas para me notar, atiravam-me contra as paredes frias da cidade.As mães atravessavam a rua com os filhos para que me não vissem.Os seus filhos que aos seus olhos, como eu, têm queixo de doutores.
  Lançou um suspiro e tossiu.Eu olhava-o ainda incrédulo sem reacção.É curioso como nos habituamos a não saber lidar com a tristeza dos outros.Exige de nós um esforço muito maior do que celebrar as alegrias, deve ser por isso que o evitamos.
 -Sabe jovem?Esta vida é muito curta e efémera.Nunca sabemos o dia de amanhã.Habituamo-nos a mecanizar de tal forma a existência que hoje as pessoas quase que se envergonham dos sentimentos que sentem.Nunca se envergonhe de sentir.Seja o que for que sinta.Sinta-o.Sinta-o e mostre-o.Não guarde para amanhã a felicidade de hoje nem adie para depois a desilusão de agora.Parece estranho. Mas a verdade é que os sentimentos mais ricos, aqueles com que aprendemos mais, são aqueles que nos magoam mais.
 Voltou a sorrir envergonhado.Cambaleando levantou-se e saiu do autocarro.Dirigiu-se ao jardim a que se habituou a chamar casa e deitou-se no banco de madeira que sente confortável como uma cama.Fê-lo sem olhar para trás.Fê-lo sem procurar ler nos meus olhos o impacto que teve o que me disse.Fê-lo sem querer saber, fê-lo como o sentiu.
 


 Fê-lo sem saber que o que me disse me fez dizer-te a ti hoje o quanto te quero bem.

domingo, 24 de maio de 2009

Tu num ponto

. (ponto final)

Tu numa palavra

Desencontro....

Tu num momento

Levemente pousaste de olhos cerrados um beijo sobre os meus lábios.
Relembro a efemeridade eterna desse beijo....mordendo-me na busca do seu sabor.


terça-feira, 19 de maio de 2009

Tu numa frase

Hoje abri mão de mim para te dar a mão.Estranhamente sinto-me mais eu agora...!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

O Encontro..!


La Reproduction Interdit, René Magritte
Ao andar inocentemente pelas ruas da cidade em mais um dia com tudo para não ser nada que não isso mesmo, mais um dia, cruzo-me com ele.Olha-me...e como me olha....olhos negros penetrantes que me deixam paralisado.Em segundos tento perceber se gosto,não,definitivamente não gosto, odeio,sinto-me nu...Aqueles olhos estranhos que me vêm como se fosse transparente agridem-me e sinto-me exposto.Tento olha-lo também.Talvez o conheça,mas não creio...Tem um ar cansado..carvões no lugar dos olhos negros como o cabelo,semblante carregado de homem vencido por lutas inglórias, corpo esguio e curvado agastado pelo peso da derrota e da tristeza.Sorriso inexistente,lábios serrados,secos, com uma frincha que deixa apenas passar o ar cada vez mais raro vencido pela vontade de asfixiar.Miserável homem este, que parado diante de mim, me olha mudo parecendo procurar em mim respostas para uma qualquer pergunta que desconhece e desconheço.
  Gelo com este encontro.Percorre-me um efémero arrepio pela corpo.Tremo.E sigo em frente....em segundos desaparece esfumando-se entre a multidão,cruzar-me-ei de novo com ele?Provavelmente, há um outro espelho numa montra mesmo ali à frente.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

O som no silêncio de um olhar por ti lançado seguido do silêncio do grito que entoei ao sucumbir


    "O olhar do Silêncio" de Teresa Robalo


Procurei no dicionário o significado da palavra que me surgiu quando, deitado no escuro, trouxe de volta a imagem com que anoiteci demasiado cedo,ainda o sol brilhava para os demais, no dia de hoje.O dicionário define-a como a ausência de som ou o não falar (fazer silêncio).Não pude concordar com o que dizem aqueles que assim o definiram...Hoje cruzei-me contigo tardiamente mas já antes os nossos olhos, ao longe, tinham trocado pesadas palavras de amargura...E assim, na ausência de som, falamos.Assim, em segundos, trocamos as mais profundas e sentidas palavras conhecidas ao homem e por este tantas vezes mal definidas.Talvez nem na ausência de som o tenhamos feito...não esqueço o som imediato que ouvi do coração a disparar alertando os meus sentidos só com o rasgar do escuro agastado dos meus olhos pelo verde confiante (que eu queria de esperança) dos teus.O som da respiração a pesar, da boca a secar, dos músculos a contrair e do livro a bater repetidamente na mesa controlado pela mão que de trémula se descontrolara.
O som que originou em mim o grito que mudos os teus olhos entoaram e fizeram ecoar na noite que gélida se punha só para mim.
E então a calma...
Depois de eternos segundos de intenso esforço e confronto interior o verdadeiro silencio apodera-se do meu ser.Cai a noite e estou sozinho, no escuro da gruta em que me protejo do frio e calor sobre que danças, oscilando em emoções e abalando, por capricho,o inverno permanente a que votaste este que foi mais um dos animais que, ferozmente, caçaste só para lhe tirar a pele para te aquecer,enquanto der, e deixares morrer ao frio depois de lhe levares tudo o que tenha que o mantenha de algum modo vivo. Lambo as feridas na esperança vã de que cicatrizem...mas não, não estas feridas que abres, como chagas, na alma resignada que vai dando um sopro de animus ao esgotado corpus, por ti já dilacerado, em que engano a morte fazendo-a querer que o facto de respirar é o bastante para viver, estando mais morto que a cal branca e gélida da parede onde me encosto para não sucumbir na falta de ar, grito por ajuda...mas ninguém ouve. Falei, gritei até, mas agora sim, foi silêncio o que se gerou.




E no silêncio de um gemido deixo-me ir...

sábado, 18 de abril de 2009

O Anti-Silogismo:Quando tudo é nada e tu,não sendo nada, és tudo...

Num universo tão grande em que nascem e explodem estrelas e vidas a uma velocidade impossivel de medir por segundo nada parece ter dimensão suficiente para ser relevante...nada parece ser nada quando comparado a uma imensidão tal que por isso se reduz a um todo que é nada em si mesmo.

Vidas vao e vêm, eventos dão-se e terminam, o importante perde toda a importancia e o inexistente torna-se uma necessidade so por passar a existir ainda que não o fosse antes do seu surgimento.Pessoas fazem coisas que pensam estar certas e de que se arrependem no segundo seguinte tendo-se esse segundo tornado tarde de mais para voltar atrás.

A vida é programada ao segundo fazendo as marionetas com animus correr em busca de cumprir objectivos traçados.No fim do dia o que sobra é tempo para descansar para o novo dia de espetáculo no circo de marionetas em que a existência foi transformada.Acontece porém que de um momento para o outro, e quando nada o faria prever(nem mesmo todos os planos traçados sob a obrigatoriedade de serem cumpridos com o minimo de tolerancia possivel) algo acontece e os fios da marioneta sao cortados por algum motivo perfeitamente desconhecido...aqui no fim do dia o que resta é nada mesmo...No fundo não deixa de ser mais uma vida que se vai, sem especial relevancia em todo um universo considerado...contudo, no pequeno universo próximo de quem inexplicavel e imprevisivelmente termina o seu espetáculo mais cedo essa vida faz toda a diferença e a sua ausencia representa uma dor que, embora superavel, deixa as suas maselas.

Em tal universo há alguns elementos que, embora pareçam de uma enorme relevancia á primeira vista, a perdem de imediato quando colocadas na devida proporção.

 O tempo...é algo que nos habituamos a valorizar e a rentabilizar, daquela que consideramos ser a melhor forma.Mas o que é um segundo quando comparado a uma hora e esta quando comprada a um dia e este quando comparado a um ano e este quando comparado á eternidade(se é que tal figura existe efectivamente)?parece nem mais nem menos do que o que é, nada...é de resto ao que tudo se reduz fatalmente mais cedo ou mais tarde!

 Também a distancia parece algo de esmagador e limitador porém irá redundar na mesma questão do tempo...há sempre uma maior distancia a percorrer do que aquela ja percorrida ainda que esta tenha parecido imensa!Assim, umas centenas de quilometros são nada quando colocados perante milhares deles e estes nada quando comparados com milhoes...é tudo uma questao de proporção!

Há ainda a perda e a presunção de que algo ou alguém é insubstituivel.Quando deparado com a morte de alguém a hoje marioneta humana tende a considerar tudo perdido, o mundo uma injustiça, tende a refugiar-se na ideia de um divino capaz de ser responsabilizado e ao mesmo tempo amenizador de tal perda e tende ainda a visitar o ultimo local de repouso do remanescente do perdido, não entendendo que o que resta de alguem após a partida é o que vive dentro de cada um que fica nas lembranças que guardam do que parte, e não propriamente no local onde este se decompõe perdendo totalmente a sua identidade. A marioneta humana esquece-se que o que provoca a dor da perda de alguem é a perda do seu animus e não da manifestação fisica de que este se serve para existir.

Neste universo há ainda espaço para mais um factor..este tambem inprevisivel e com muito de inexplicavel....coincidencias!Quando tudo parece seguro coincidencias acontecem e mudam todo o guião da história...A minha foste tu.

Se um segundo no universo significa nada dois segundos na coincidencia que es tu fizeram toda a diferença, alguns quilometros uma diferença ainda maior e a ausencia de alguém( ainda que não pela sua perda em absoluto) uma dor corrosiva.

  Seria tão mais facil se o meu universo fosse o mesmo que o teu.....embora isso claro tornasse tudo muito mais facil e ate vazio de sabor de conquista...um sabor que preenche os sentidos daqueles que o conseguem atingir, nós mercemo-lo e havemos de nos deleitar com ele, um dia, mais cedo ou mais tarde!!

quinta-feira, 5 de março de 2009

Hoje foi diferente

Se hoje voltei a escrever é porque voltei a sentir.Curioso como me foi possivel, a mim que sempre devorei sofregamente emoções, ficar todo este tempo abafado no vazio da ausência de sensação,mas fiquei...Certo é que hoje algo em mim despertou ao sentir a forma como, levemente, pousaste sobre o meu olhar gélido um sorriso tímido mas quente o suficiente para o derreter.

Derreteu, derreti, derreteste-me.

Até aqui fui não mais do que um sucessivo desenrolar de actos que se iniciavam com o nascer e terminavam com o esvair da luz no pôr do sol numa monotonía aflitiva que me roubava a vida a cada novo dia que passava.Sentimentos nasciam e explodiam como estrelas no micro universo em que me movo, eventualmente em torno desse sol, que gosto de pensar só meu, que és tu.Serás tu essa caprichosa estrela capaz de gerar vida em mim só ao ofuscar-me num encandescente raio que me cega enquanto parece encher-me de vida?Capaz também de me secar dolorosamente numa falta de ar angustiante no escuro da falta dessa luz?Diria que sim...pelo menos terá sido esse o efeito que teve esse sorriso que inocentemente( terá sido realmente inocente?gosto de pensar que sim...) me lançaste quase como que para me manteres vivo só por mais um pouco quando me sentiste partir.Podia ter morrido ali, acabava ali a agonía, o sofrimento, mas não...Caprichosa...Matasses-me de uma vez e não me manteria aqui a roubar o ar a quem realmente tenha vontade de viver.Mas não...Não tu que te mantens inerte nessa nuvem de onde me vez actuar, na corda bamba sem rede, distante o suficiente para que te veja mas para que saiba que não te posso alcançar, suficientemente perto para estares longe de mais.E caminho assim, com a motivação de te alcançar por te ver tão perto e a descrença em te tocar por te saber tão longe.Morra eu de uma vez e talvez possa, enfim, nascer.
Também ontém o sol nasceu e se pôs junto comigo, mas hoje foi diferente...

domingo, 18 de janeiro de 2009

História da música: O piano; A sinfonia que compus para te ouvir a ecoar dentro de mim, uma ultima vez!

Sentado num banco transpiro para um piano toda a alma que me habita....sou um só com as suas teclas...relembro o desaparecer do teu sorriso num melancolico suceder de acordes tristes seguidos de um fernezim de notas soltas com sentido, pelo menos para mim...perco agora a consciencia dos meus gestos, os meus dedos flutuam livremente, e toco...com o mesmo sentimento, com a mesma paixao, com a mesma liberdade, com a mesma ausencia de dominio de mim mesmo com que toquei em ti um dia...eu nao a controlo...mas a melodia é perfeita...tambem contigo era assim...perfeito..espontaneo,intenso,sempre perfeito...Toco ja sem ler a partitura...sei-a de cor...tambem a ti sabia embora o teu corpo fosse uma eterna novidade que descobria sempre com o mesmo entusiasmo. parece que ainda o sinto, tudo nele...o seu odor,o paladar a ti que me ficava gravado nos labios ja secos de tanto o beijar...o piano toca agora mais alto..as suas notas repetem-se a um ritmo que nao consigo controlar e enquanto o ouço o meu coraçao acelera com ele e eu fecho os olhos... cresce em mim a ansiedade falta me a força mas nao paro...toco....toco porque te sinto em cada nota que me invade e me faz faltar o ar...cada nota é uma gota de suor que absorvo do teu corpo com a ponta dos meus dedos...estou cansado...soa agora uma melodia calma...relaxante...terna...e tu continuas aqui...acaricio agora o piano como quem com carinho desliza sobre a face de alguem uma mao leve e suave como a brisa...acaricio-o assim como te acariciava a ti..quando quietos esqueciamos o mundo e viamos o mar e o sol que parecia brilhar so para nos naquele momento....a melodia entristece e nao evito que uma lagrima me escorra e humedeça uma qualquer tecla do piano... ja nao transpiro para o piano a alma que em mim habita choro agora a saudade e tristeza que deixaste quando foste, quando te fiz ir...talvez seja bom que tenhas ido pude finalmente provar o gosto de tudo sem ti...é amargo... e só o é porque conseguiste tornar-te na doçura dos momentos que vivia...vivo-os sem ti e são amargos... pude experimentar o toque de um abraço que nao o teu...é aspero...vazio....pude experimentar o sabor de um outro beijo....sem sentido...
posso tentar iludir-me com uma mascara que uso que so me engana a mim...ou pelo menos a ti nao te engana...nao a ti que sempre olhaste para dentro de mim como se nao houvesse nada entre mim e ti que me escondesse...para ti era transparente e tu vias-me....percebo quando me olhas com esse olhar que me diz tanto...que ainda o sou...transparente... ainda consegues ver-me de dentro para fora sentir me de dentro para fora...consegues abraçar-me antes que começe a chorar... consegues calar-me antes que começe a dizer o que nao quero dizer...consegues sorrir-me antes de falar, ves se estou feliz, consegues perguntar-me o que se passa tambem antes de falar, sabes se estou triste...sabes me como ninguem...conheces me como ninguem...conheces me como qualquer pessoa teria medo de conhecer alguem...conheces me como eu... conheces me melhor.... o piano ja nao toca.... mas tu permaneces... amanha uma nova melodia vai nascer mas tu seras sempre a sua partitura...sempre ate eu acabar de exprimir todas as sensaçoes que suscitas em mim...nunca irei conseguir...vais ser sempre o meu piano... quanto mais toco mais conheço o que es para mim...nao quero parar de tocar...quero saber tudo ate concluir que ha em cada pedaçinho de mim um pouquinho de ti...compoes-me...compoes o meu melhor eu...o eu que foi criado por ti o eu que nao existe sem ti...o eu que compões....como quem compõe uma melodia harmoniosa,pacifica,tranquila....compõe-me e faz me ecoar nas paredes de uma qualquer sala de madeiras refletidas e cobertas pela luz dourada de um por do sol....Hoje a melodia e serena...hoje eu sou sereno...hoje deste-me a mao e o mundo parou...

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

História da arte: a pintura; A monalisa que pintei para te ver sorrir para mim, uma última vez...

A primeira vez que te vi, vi-te, cada traço preciso e exacto, anatómicamente perfeito que formava a figura graciosa e detalhada que eras tu.Cada sombra que parecia esconder alguma mínima imperfeição ao mesmo tempo que deixava no ar a possibilidade de ocultar mais um reboscado e precioso pormenor que te compõe nessa angustiante representação de perfeição humana renascentista em que te vi. Vi-te assim, numa harmonia realista científica em que cada gesto, cada expressão, cada luz, cada brilho, cada sombra, cada cor, me transmitia uma emoção nova e te punha mais perto do Olimpo e mais longe de mim. Eras assim, uma imagem perfeitamente desenhada e clara. Pelo detalhe com que te pintaste pareceu-me ver-te como na realidade és, sem artifícios para te esconder, mas com tal detalhe que me deixou sedento de explorar cada traço em que te formas para conhecer mais até à exaustão.
Quis conhecer cada luz que me ofuscava e te enchia de destaque numa tela repleta de um jogo de vida e morte, claridade e obscurantismo, euforia e angústia que me despertava os sentidos enquanto me afogava na sensação de completude e sacieade. Cada olhar que parecia ter sempre mais a dizer e me fazia deambular num misto de ternura e sofrimento doentio que me impedia de desviar o olhar desse teu enigma permanente com que vias o mundo e me cegavas aos poucos sem saber.
Cego pela grandiosidade em que te via fui apreciando um gradual deformar da imagem inicial que construi apercebendo-me da nítida ilusão que todo esse jogo de luz produziu nos meus ingénuos olhos que já te viam, então, sob a forma impressionista de uma luminosa aparência de felicidade constituida por pinceladas soltas, ao contário dos firmes e perfeitos traços com que nasceste tal qual Vénus. Toda aquela ciência e harmonia realista pareciam-me agora não mais do que uma ilusão provocada por um exuberante cenário de luz e cor forte sem o qual não serias nada mais do que um conjunto de pinceladas imprecisas. Contudo, consegui ainda assim, reconhecer certa beleza, por muito que os teus contornos tivessem perdido precisão, á forma que descrevias, mais vaga mas com detalhe suficiente para te manteres encantadora e fascinante para mim, talvez por guardar ainda lembrança do tempo em que te julgava ver em todo o teu detalhe e explendor.
Porém, quando tentava reconstruir e precisar a incerteza das pinceladas em que te tornaras, notei que da minha reconstrução nasceu uma imagem ainda mais desconstruida e afastada daquela em que outrora me perdi em prazeres e euforia. A tua forma havia-se perdido e eras não mais do que uma colorida dança de expressões da qual resultava uma angustiante e destrutiva sensação de desprazer patente no teu semblante que se alastrava a mim e me consumia num ácido que sentia queimar-me do mais intímo interior de mim até à superficie com que tocava visualmente na corrosiva imagem em que morta dançavas com um olhar que implorava sair da tela ao mesmo tempo que se deleitava com toda a negridão sua envolvente e com o meu olhar perdido de panico e desilusão perante tão macabra demonstração de ti.
Abstração...foi tudo o que restou depois da perturbação causada pelo teu verdadeiro ser...incapaz de perceber como uma imagem renascentista tão harmoniosa pode perder gradualmente todo esse encanto transformando-se numa abominável manifestação de amargura dor e sofrimento absolutamente destrutiva para mim deixei de reconhecer em ti qualquer forma vendo apenas uma abstração, um conjunto de elementos a compor uma tela incompreensível, sem emoção, sentimento ou forma.
Hoje vejo-te talvez como uma demonstração surrealista...reconheço-te uma forma descabida, incompreensível mas que não me fere ou satisfaz....uma obra sem emoção, pelo menos para mim.

Assim assisti à perfeita deformação da perfeição da tua forma, e da minha, pelo menos como a conhecia quando percorria sofregamente a perfeição que se revelou falsa e destrutiva da grande obra que pintei e que vi deteriorar arrastada pela podridão da modelo que escolhi,infelizmente...

domingo, 11 de janeiro de 2009

Se me perder procuro-te e aí sei que me encontrei

Se cada um muda o mundo à escala que pode tu mudaste o meu a uma escala cósmica, e pudeste!

só mais um conto contado pela personagem que não morreu no fim por não chegar até lá!

Olhar para o espelho e reconhecer-me é hoje quase tão dificil como era olhar para ti e perceber quem eras á sombra das tuas constantes mudanças de personagem nessa historia que criaste com apenas uma personagem principal e personagens secundárias, como eu, que fatalmente morriam no fim para deleite teu.Não fosses tu essa princesa caprichosa que vive na ansia de ver mais um principe(encantado durante não mais do que o tempo que a ti te parecer conveniente) falhar ao tentar salvar-te das garras da "bruxa má" que na realidade és tu própria sob essa aparência ingénua e pura de sorriso aberto e olha encantador!Eu fui um desses príncipes que encantado, não por ter encanto mas por me encantares, me rasguei, desfiz, abri em sangue que escorria do peito onde te trazia, a ti ou aquela que julgava seres tu, dei o melhor de mim mas não chegou para satisfazer o pior de ti com que me julgaste e apagaste do conto(que eu queria de fadas) que escreves nesse teu jeito manipulador de marionetas animadas.Para mim a história acabou, para ti foi só mais uma página ainda longe do "e viveram felizes para sempre", só mais um "era uma vez"....
Como te cheguei a dizer a minha vida é uma tragi-comédia em que me equilibro risonho na corda bamba sem rede perante uma assustada plateia confiante na minha falsa aparencia de controlo.Foi também assim que caí da corda julgando ingénuamente ter-te como rede quando eras apenas mais uma espectadora passiva(e não das assustadas) que me via arriscar balançando, entediada pela falta de emoção no facto de não cair. Pois é...desequilibraste-me e por ti cai mesmo...
Hoje sinto saudades de uma pessoa cuja existencia inexplicavel e inprevisivelmente cessou.A pessoa que eu julgava que eras, iludido pela mascara que usavas.
Eras tu quando eu era mais eu, embora não saiba ao certo quem es na realidade...