La Reproduction Interdit, René MagritteAo andar inocentemente pelas ruas da cidade em mais um dia com tudo para não ser nada que não isso mesmo, mais um dia, cruzo-me com ele.Olha-me...e como me olha....olhos negros penetrantes que me deixam paralisado.Em segundos tento perceber se gosto,não,definitivamente não gosto, odeio,sinto-me nu...Aqueles olhos estranhos que me vêm como se fosse transparente agridem-me e sinto-me exposto.Tento olha-lo também.Talvez o conheça,mas não creio...Tem um ar cansado..carvões no lugar dos olhos negros como o cabelo,semblante carregado de homem vencido por lutas inglórias, corpo esguio e curvado agastado pelo peso da derrota e da tristeza.Sorriso inexistente,lábios serrados,secos, com uma frincha que deixa apenas passar o ar cada vez mais raro vencido pela vontade de asfixiar.Miserável homem este, que parado diante de mim, me olha mudo parecendo procurar em mim respostas para uma qualquer pergunta que desconhece e desconheço.
Gelo com este encontro.Percorre-me um efémero arrepio pela corpo.Tremo.E sigo em frente....em segundos desaparece esfumando-se entre a multidão,cruzar-me-ei de novo com ele?Provavelmente, há um outro espelho numa montra mesmo ali à frente.

Sem comentários:
Enviar um comentário