
Sentado na esquina da sala faço uma moeda embater ritmadamente na superficie encerada da mesa de madeira escura.Do lado oposto da sala vejo-a. Olha para mim de relance e vê o sinal.Vira-se para mim e inicia uma marcha confiante na minha direcção.Os cabelos balançam da esquerda para a direita loiros realçados pela exposição ao sol de verão.Os olhos, azuis, reflectem o cenário num tom que o torna especialmente encantador. As Paredes bordeaux harmoniosamente adornadas de obras de pintura com molduras barrocas de um tom dourado envelhecido, as cortinas verde garrafa do lado de dentro de janelas de madeira com grandes portadas, o piano de cauda preto brilhante entoando escalas de Jazz ao vivo, as escadas, também de madeira, que conduzem a um andar de cima misterioso, os candeeiros de tecto antigos com abat-jours discretamente florados, a porta ligada a um pequeno sino que se agita com a entrada de alguém.
A sua pele, normalmente clara, apresenta um tom dourado. Veste uma blusa branca, que usa com as mangas simétricamente arregaçadas até ao antebraço, com folhos no subtil decote.Uma saia preta até ao meio das pernas elegantes e firmes, um cinto largo na cintura delgada.Sapatos pretos com um pouco de tacão que parece acompanhar no ritmo o piano quando embate no soalho de madeira ao andar.Desfila assim na minha direcção e à medida que se aproxima sinto o seu odor a perfume fresco e floral.Chega por fim junto a mim, olha-me sorrindo. Sorrio-lhe também.
-Um Capuccino, por favor.
Acena positivamente e regressa!

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