Se hoje voltei a escrever é porque voltei a sentir.Curioso como me foi possivel, a mim que sempre devorei sofregamente emoções, ficar todo este tempo abafado no vazio da ausência de sensação,mas fiquei...Certo é que hoje algo em mim despertou ao sentir a forma como, levemente, pousaste sobre o meu olhar gélido um sorriso tímido mas quente o suficiente para o derreter.
Derreteu, derreti, derreteste-me.
Até aqui fui não mais do que um sucessivo desenrolar de actos que se iniciavam com o nascer e terminavam com o esvair da luz no pôr do sol numa monotonía aflitiva que me roubava a vida a cada novo dia que passava.Sentimentos nasciam e explodiam como estrelas no micro universo em que me movo, eventualmente em torno desse sol, que gosto de pensar só meu, que és tu.Serás tu essa caprichosa estrela capaz de gerar vida em mim só ao ofuscar-me num encandescente raio que me cega enquanto parece encher-me de vida?Capaz também de me secar dolorosamente numa falta de ar angustiante no escuro da falta dessa luz?Diria que sim...pelo menos terá sido esse o efeito que teve esse sorriso que inocentemente( terá sido realmente inocente?gosto de pensar que sim...) me lançaste quase como que para me manteres vivo só por mais um pouco quando me sentiste partir.Podia ter morrido ali, acabava ali a agonía, o sofrimento, mas não...Caprichosa...Matasses-me de uma vez e não me manteria aqui a roubar o ar a quem realmente tenha vontade de viver.Mas não...Não tu que te mantens inerte nessa nuvem de onde me vez actuar, na corda bamba sem rede, distante o suficiente para que te veja mas para que saiba que não te posso alcançar, suficientemente perto para estares longe de mais.E caminho assim, com a motivação de te alcançar por te ver tão perto e a descrença em te tocar por te saber tão longe.Morra eu de uma vez e talvez possa, enfim, nascer.
Também ontém o sol nasceu e se pôs junto comigo, mas hoje foi diferente...
quinta-feira, 5 de março de 2009
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